“Safra brasileira é inferior ao que precisamos”, afirma Carvalhaes

À medida que avançam os trabalhos de colheita e benefício da nova safra brasileira de café 2017/2018, já passaram dos 60% e em algumas regiões estão chegando aos 70%, vão se acumulando informações sobre produção menor que a esperada, forte incidência de grãos brocados – um problema que até a proibição do uso do inseticida e acaricida organoclorado “endosulfan” os cafeicultores brasileiros haviam praticamente eliminado – menos quantidade de cafésconsiderados “gourmet” e baixa porcentagem de peneiras 17 e 18.

Foto: Felipe Gombossy/Café Editora
Foto: Felipe Gombossy/Café Editora

Esse quadro vai se consolidando no pior período possível para o mercado de café. Com o consumo mundial em alta e o do Brasil mostrando um desempenho extraordinário – nosso consumo interno não caiu apesar de desde 2015 estarmos enfrentando a pior crise econômica e financeira dos últimos cem anos – a nova safra brasileira é inferior ao que precisamos como maior exportador e segundo consumidor do mundo. Os estoques oficiais brasileiros estão zerados e os privados, de passagem, em final de junho quando terminou o ano safra 2016/2017, certamente são dos menores, senão o menor de nossa história.

Outro fator que embaralha as análises é a aplicação cada vez mais difícil dos grãos brocados, tanto nas exportações como no consumo interno. Os “furos” nos grãos são a cada ano mais recusados no exterior pelo medo que a água que esses “furos” possam conter facilite o aparecimento de ocratoxina A (OTA), uma micotoxina pouco usual nos cafés brasileiros. Em nosso consumo interno, as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para partículas de insetos no café industrializado são severas, o que tem levado a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) a alertar seus associados a terem cuidado ainda maior na compra da matéria prima.

A colheita brasileira avança e o cenário de escassez e problemas na qualidade se consolida. Sem condições de continuar com o discurso de safra brasileira acima de 50 milhões de sacas, os operadores interessados em manter os preços do café comprimidos procuram desviar a atenção dos analistas para a próxima safra brasileira 2018, de ciclo alto. Inflam suas estimativas e falam que será uma super safra. Se o clima cooperar e os produtores tiverem recursos para cuidar adequadamente de seus cafezais, teremos uma safra maior e de melhor qualidade.

A realidade é que ano após ano temos tido imprevistos climáticos e que com os preços praticados atualmente pelo mercado o cafeicultor não terá recursos, nem estará motivado para investir em sua lavoura. Os custos de produção sobem e os preços de venda do café só caem. A equação não fecha.

Os novos defensivos são bem mais caros e de aplicação mais difícil, os combustíveis foram reajustados com impostos maiores e já se fala em aumento da energia elétrica. Nos preços atuais do café, em safra de ciclo baixo, o repasse final, manual, nos cafezais custa muito caro e não compensa financeiramente. Muitos produtores não farão esse repasse e provavelmente teremos incidência de broca ainda maior na próxima safra.

Só preços melhores, que remunerem adequadamente o cafeicultor, podem ajudar a termos um cenário mais otimista para o próximo ano.

As cotações em Nova Iorque oscilaram com força esta semana, evidenciando a falta de rumo do mercado de café. Caíram forte na segunda (24) e terça-feira (25), subiram significativamente na quarta-feira (26), recuperando boa parte da queda dos dois dias anteriores e voltaram a fechar em alta na quinta (27) e na sexta (28).

A semana fecha com um balanço positivo de apenas 130 pontos. O fortalecimento do real frente ao dólar ajuda a comprimir as cotações do café no mercado físico brasileiro, que permaneceu calmo com pouco interesse vendedor nas bases oferecidas pelos compradores. Os negócios fechados representam pouco para um período de entrada de safra. Os cafeicultores, desanimados, procuram vender o mínimo necessário para fazer frente aos compromissos mais próximos.

Até dia 27, os embarques de julho estavam em 1.124.303 sacas de café arábica, 14.747 sacas de café conilon, mais 143.442 sacas de café solúvel, totalizando 1.282.492 sacas embarcadas, contra 1.636.540 sacas no mesmo dia de junho. Até o mesmo dia 28, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em julho totalizavam 1.579.720 sacas, contra 2.065.382 sacas no mesmo dia do mês anterior.

A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 21, sexta-feira, até o fechamento da sexta-feira (28) subiu nos contratos para entrega em setembro próximo 130 pontos ou US$ 1,72 (R$ 5,40) por saca. Em reais, as cotações para entrega em setembro próximo na ICE fecharam no dia 21 a R$ 566,63 por saca, e dia 28, a R$ 572,76 por saca. Na última sexta, nos contratos para entrega em setembro a bolsa de Nova Iorque fechou com alta de 190 pontos.

Fonte: Escritório Carvalhaes / cafepoint.com.br